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Grandes Processos Judiciais no Espaço Cripto

John Martin

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Atualizado: ,6 min

Advogados já estão participando ativamente da formação jurídica dos ativos digitais, e os Estados buscam assumir o controle da nova tecnologia por meio da regulação cripto e da introdução de novas leis.

Neste material, vamos falar sobre processos de grande repercussão e disputas jurídicas no mundo das criptomoedas.

1. O Maior Processo da História das Criptomoedas (Tribunal Distrital da Flórida)

Toda a comunidade cripto está acompanhando ativamente a audiência de Kleiman v. Wright, que está diretamente relacionada às origens do Bitcoin.

Em 2018, Ira Kleiman, irmão de um dos prováveis criadores da criptomoeda, Dave Kleiman, entrou com uma ação após sua morte para recuperar 1,1 milhão de bitcoins. O acusado do roubo foi Craig Wright, que participou da criação do código-fonte do Bitcoin. Ele também é chamado de segundo candidato ao título de criador da moeda eletrônica. Wright acredita que as acusações se baseiam em uma mistura de ganância, rumores, contradições e especulação. O réu tenta provar a ausência de acesso físico direto ao disco rígido e à senha da carteira de bitcoin de Kleiman. A decisão neste caso pode se tornar um precedente na determinação da propriedade de criptomoedas.

2. Processo por Negligência do Desenvolvedor (Tribunal Distrital de Nova York)

70% das exchanges de criptomoedas são vulneráveis e inseguras para os usuários. A exchange BitGrail também entrou nessa estatística.

Em 5 de abril, um cidadão dos EUA entrou com uma ação contra os desenvolvedores da criptomoeda Nano. Seus representantes eram o Silver Miller Law Firm. O caso está relacionado a uma violação da lei de valores mobiliários e à negligência dos desenvolvedores, o que levou ao roubo de 17 milhões de Nano da exchange BitGrail. O autor exige a emissão de uma nova criptomoeda e o pagamento de uma compensação justa a todas as vítimas. Por sua vez, para o Silver Miller, este não é o primeiro processo em larga escala contra “instigadores” de criptomoedas. Por exemplo, os advogados já acompanharam uma ação coletiva contra o projeto blockchain Tezos, que arrecadou um recorde de US$ 232 milhões com a ajuda de ICO. O projeto foi acusado de violar as leis de valores mobiliários e de enganar investidores. O Silver Miller também lidou com processos contra as exchanges Coinbase, BitConnect, Monkey Capital e Giga Watt.

O Silver Miller já se uniu ao escritório de advocacia Espen Enger — representante de quase 600 vítimas da BitGrail — para ajudar investidores. No entanto, ainda não está claro como o tribunal avaliará as alegações dos autores. Afinal, a Nano pode ser considerada um valor mobiliário não registrado.

3. Países Contra o Bloqueio de Criptomoedas (Tribunal Distrital de Nova York)

A proibição de anúncios de criptomoedas e ICO é uma nova tendência entre as redes sociais. A Associação Russa de Criptomoedas e Blockchain (RAKIB) iniciou um processo contra Google, Twitter, Yandex e Facebook em conexão com essa proibição e restrição à informação de potenciais investidores. Ela já foi apoiada por líderes da indústria global de blockchain da Suíça, Armênia e Cazaquistão. Uma ação coletiva foi protocolada em Nova York em nome de uma nova associação — a Associação Eurasiática de Criptomoedas e Blockchain. Saberemos alguns meses depois a que essa ideia levará.

4. Ação Coletiva de Investidores (Suprema Corte da Califórnia em San Mateo County)

A perda de fundos para comprar e vender Ripple (XRP) tokens — valores mobiliários — obrigou o americano Ryan Coffey a ir à Justiça em nome de todos os investidores na startup blockchain Ripple. No início de 2018, ele, assim como outros coinvestidores, tornou-se proprietário de tokens Ripple, cuja venda levou à perda de um terço dos fundos investidos em criptomoedas.

No entanto, em resposta, foi dito a eles que a contagem de tokens de usuários é prerrogativa da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. Especialistas dizem que a Ripple também pode ser um valor mobiliário não registrado. Muito provavelmente, a Ripple não conseguirá provar o contrário, e o projeto será forçado a devolver o dinheiro aos investidores em ativos digitais.

5. Bitcoin como Propriedade (Nona Corte de Apelação de Moscou)

Outro precedente para a legislação — na Rússia, foi permitido apreender criptomoedas de devedores. No âmbito da falência do réu, o administrador financeiro descobriu que a pessoa insolvente possui uma “carteira virtual” com bitcoins. O administrador judicial decidiu que a criptomoeda pode ser incluída na massa falida. Por sua vez, o devedor argumentou que os ativos em Bitcoin não podem ser considerados na formação da massa falida devido à ausência de regulamentação legal para criptomoedas. Inicialmente, o tribunal decidiu não incluir a criptomoeda na massa falida. No entanto, em uma audiência em maio, o tribunal de apelação negou completamente essa decisão.

Houve muitas discussões e divergências em torno do caso. Embora a maioria dos advogados tenha apoiado a ideia de incluir a criptomoeda na lista de bens.

6. Lançamento Fracassado da Blockchain do Telegram 

Em maio, o fundador do mensageiro Telegram, Pavel Durov, anunciou a interrupção dos trabalhos na plataforma blockchain Telegram Open Network e a devolução de 72% dos investimentos aos investidores. O empresário chamou a decisão do tribunal americano de principal motivo para o encerramento do projeto. O tribunal proibiu a emissão dos tokens Gram, por considerá-los valores mobiliários, levando em conta as expectativas dos investidores em relação à venda de um ativo no mercado secundário.

Depois, a SEC multou o Telegram em US$ 18,5 milhões, e a empresa devolveu mais de US$ 1,2 bilhão aos investidores do ICO direta ou indiretamente, ou na forma de empréstimos. Depois disso, um dos participantes do ICO do Telegram, Vladimir Smerkis, observou que a maioria dos investidores em TON tende a entrar com uma ação contra Pavel Durov, já que o número de perdas daqueles que usaram os serviços de corretores e fundos ultrapassará 28%. No entanto, até agora não há informações sobre processos movidos contra o chefe do Telegram.

7. Fraude Fiscal da BitMEX e John McAfee

Eventos ocorridos no início do quarto trimestre de 2020:

No início de outubro, os proprietários da segunda maior exchange de derivativos cripto BitMEX, incluindo seu fundador e CEO Arthur Hayes, passaram a ser investigados. A U.S. Commodity Futures Trading Commission (CFTC) os acusa de operar uma plataforma de negociação não registrada e de violar as regras da CFTC, inclusive as relacionadas ao combate à lavagem de dinheiro e à identificação de clientes.

O Departamento de Justiça dos EUA também acusou Hayes e os cofundadores Ben Delo e Samuel Reed de violar a lei de sigilo bancário. Reed foi preso, mas saiu sob fiança de US$ 5 milhões. Depois, a empresa anunciou que Hayes deixaria o cargo de diretor-geral, Reed — o de diretor técnico, e Ben Delo também deixaria a empresa. O chefe de Desenvolvimento de Negócios, Greg Dwyer, entrou de férias. O cargo de diretor-geral interino foi assumido por Vivien Khu.

Em 6 de outubro, as autoridades dos EUA acusaram John McAfee, fundador da empresa antivírus McAfee, de evasão fiscal. Ele foi detido na Espanha e agora enfrenta extradição. Além da evasão fiscal, ele também é acusado de deixar intencionalmente de apresentar declarações de imposto de renda. Em 5 de outubro, a SEC processou o empresário por promover ICO no Twitter. O autor da ação enfatiza que Makafi enganou investidores. Por cada acusação, ele enfrenta uma pena de até 5 anos de prisão.

8. Investigação da Coinbase

A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA abriu uma investigação sobre a exchange cripto. O regulador acredita que a empresa pode negociar valores mobiliários não registrados

A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) está investigando o site por negociar valores mobiliários não registrados.

Um porta-voz da Coinbase disse à Reuters que a empresa não lista valores mobiliários em sua plataforma. Ao mesmo tempo, o chefe do departamento jurídico da exchange cripto, Paul Grewal, enfatizou que ela cooperará com a SEC.

Um ex-funcionário da Coinbase foi acusado de insider trading. Também no caso de fraude estão seu irmão Nihil Wahi e o conhecido Samir Ramani, que o Departamento de Justiça dos EUA acusou de realizar transações ilegais com pelo menos 25 criptomoedas diferentes, totalizando cerca de US$ 1,5 milhão.

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